Um desafio chamado Rinjani - Parte II


As 23:30 despertamos, talvez não tão descansados, para enfrentar o que viria pela frente. O caminho agora seria muito mais difícil comparado ao do dia anterior. Depois daquelas poucas horas de sono agora iriamos, durante a noite, do acampamento, a 2500 m de altitude, ao topo do vulcão que esta a 3726 m acima do nível do mar.

Imaginem grandes pedras ao seu redor, pedras gigantes que haviam rolado até ali em algum momento algum momento da história durante uma erupção. Imagine penhascos dos dois lados daquele estreito caminho. Some a isso pedras menores soltas e o chão coberto por cinzas. Pois é, aqui começou uma odisséia. Algo para o qual eu não estava preparado. Fazia frio, a escuridão ocultava perigos que me fez entender aquela observação do Wikipedia "Os acidentes fatais não são raros". Seguimos em fila morro acima, naquele ponto haviam várias pessoas também na trilha, todas equipadas com aquelas lanternas de cabeça, o que formava um bela imagem à minha frente.

Além da dificuldade que a noite e a pouca iluminação proporcionava, o frio, o vento, o terreno mais íngreme coberto por cinzas vulcânicas e pedras soltas dificultavam a caminhada. A respiração ficou dificultada, além da altitude que começava mostrar seus efeitos uma nuvem de poeira se formava devido à toda aquela gente caminhando sobre aquela cinza toda.

Durante esse percurso cada um tem que seguir o seu ritmo, no começo não foi tão difícil a caminhada mas com o passar do tempo a inclinacao do terreno, o frio, as cinzas, as pedras e principalmente o cansaço causavam efeitos diferentes em cada um de nós. Cada um no seu ritmo, e para não perder o meu me desgarrei do grupo e segui caminho a cima. Foi um caminhada solitária, uma caminhada de várias horas, e eu estava lá com os meus pensamentos, me perguntando o que eu estava fazendo ali.

Depois de umas 4 horas de caminhada cheguei a um ponto onde a inclinação ficou ainda maior, olho para cima e o pico na montanha estava lá, a uns 200m acima. Pensei comigo mesmo: "falta pouco, logo isso acaba, só mais um pouco". Mas a caminhada estava difícil, fazia muito frio, eu estava exausto, e para piorar a respiração estava difícil. Eu caminhava dois passos e aquele terreno instável fazia com que eu voltasse um. Desenvolvi uma técnica que me ajudava a ir em frente: contava 6 passos e parava para descansar, apoiando minha cabeça sobre as mãos que seguravam aqueles bastões de caminhada em montanha e dessa forma tentava recuperar o fôlego e recuperar forças para seguir.

Minha cabeça estava a mil, um sentimento estranho, alegria por ter checado até aquele ponto, faltando tão pouco e ao mesmo tempo o corpo cansado, dolorido, me faziam pensar em desistir. Eu pensava "cheguei ate aqui, parece que não seria capaz de seguir”. Meu corpo, minha cabeça parecem que não queriam seguir. O peso psicológico daquele sentimento era devastador, o sentimento de me decepcionar e decepcionar outros era algo quase que insuportável. Foi quando em uma dessas paradas, eu olhei para cima, uns 50 metros a minha frente, lá encima, havia outra pessoa exatamente na mesma posição que eu, cabeça apoiadas nas mãos sobre os bastões. Então me perguntei "se aquele cara chegou até lá, por que eu não chegaria? Eu vou até onde aquele cara está". Aquilo, aquele pensamento me deu forças, e assim segui em frente. Um passo de cada vez, um passo depois do outro. Quando me dei conta lá estava eu ao lado daquele estranho que ainda não tinha se mexido do lugar. Então parei e me dei conta que ele estava com o mesmo dilema que eu estive: desistir ou seguir em frente. Tentei anima-lo, falei "vamos em frente, vamos juntos, vamos terminar isso, falta pouco". E ali ficamos os dois por uns 10 minutos pelo menos, sem sair do lugar. Naquele frio, vento, pouco oxigênio, corpo dolorido e todos os motivos para desistir.

Foi quando percebi aquele imagem no horizonte. O efeito da luz pre-nascer do sol, o vermelho alaranjado que começava a pintar o céu, revelando as formas daquelas

montanhas no horizonte, revelavam a imensidão daquele lugar, era uma imagem deslumbrante, algo mágico. Confesso que a partir dali, os últimos 100 metros até o topo, apesar de fisicamente mais difíceis foram mentalmente os mais fáceis. Ficou claro naquele momento, naquele local a poucos metros do topo, o porque eu estava ali, eu precisava superar o medo. O medo de me frustar, medo de frustrar alguém, medo de ter medo! Como um estalo minha mente mudou e tudo ficou límpido e transparente a mensagem era simples "acredite e siga em frente", "quando queremos algo, quando realmente queremos, nada, nada, pode nos deter". Quando cheguei finalmente ao topo comigo chegou o amanhecer e eu desabei ao chão emocionado por ter superado não a montanha mas ter superado a mim mesmo.

Fiquei ali naquele lugar mágico, esperando por meus companheiros que seguiam cada um com sua batalha pessoal. Foi quando apareceu o tal estranho companheiro de batalha, companheiro de dilema, com quem eu havia dividido aquele momento decisivo. Ele, com o rosto cansado, logo me reconheceu, parecia que estava buscando por mim. Com os braços abertos e lágrimas nos olhos veio em minha direção. Me deu um abraço forte, daqueles que realmente significam algo, e durante alguns segundos não disse nada, até que me agradeceu dizendo que se não fosse por mim ainda estaria na mesma posição ou, pior, teria desistido. Mal sabia o que aquele encontro prévio tinha causado em mim, na minha jornada.

Pois bem, aos poucos foram chegando meus companheiros de aventura, primeiro Rafa, logo Yeky e assim chegaram todos. No topo daquele vulcão nos deleitamos com a paisagem, com a vista, com nossa vitória. Nos abraçamos, comemoramos e nos surpreendemos com nós mesmos.

Até que chegou a hora de descer, aliás fomos os últimos a deixar aquele lugar. Para nossa surpresa a descida não seria tão fácil, alguns desafios ainda estavam por vi. Mas essa história fica para o próximo post. Aguardem!!!

#aventura #indonésia #rinjani #papainacorrida #esporte

Alguns mantras poderosos!

#1 

"What consumes your mind, controls your life"

 

#2
"O ato de correr é mais do que uma sucessão de saltos como está conceituado na literatura. Correr é um ato de coragem, persistência e superação; um metafora da vida na mais pura expressão atlética" - Alan Ricardo Costa

 

#3

"Don't be easy to define, let they wonder about you" @sucess_foundation

#4
Love your fucking life. Take pictures of everything. Tell people you love them. Talk to random strangers. Do things your're are scared to do. Fuck it, because so many of us die and no one remembers a thing we did. Take your life and make it the best history in the world. Don't waste that shit"

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© 2017 por Fábio Pestana

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